sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Resenha | Amor Amargo

  No comments    
categories: 
Último ano do colégio: a formatura da estudiosa Alex se aproxima, assim como a promessa feita com seus dois melhores amigos, Bethany e Zach, de viajarem até o Colorado, local para onde sua mãe estava indo quando morreu em um acidente. O Dia da Viagem se torna cada vez mais próximo, e tudo corre conforme o planejado. Até Cole aparecer. Encantador, divertido, sensível, um astro dos esportes. Alex parece não acreditar que o garoto está ali, querendo se aproximar dela. Quando os dois iniciam um relacionamento, tudo parece caminhar às mil maravilhas, até que ela começa a conhecê-lo de verdade…

Mais uma vez, Jennifer Brown conseguiu partir meu coração com uma história maravilhosamente trágica e realista. Amor Amargo conta a história de Alex, uma garota no último ano do ensino médio, que tem uma pai ausente e dois melhores amigos. Tudo que Alex consegue pensar é em sua viagem para o Colorado com seus amigos, até que o suposto príncipe encantado Cole aparece em sua vida e a muda drasticamente.

O único livro da Jennifer Brown que tinha lido antes desse tinha sido A Lista Negra, que eu amei completamente e até fiz resenha aqui no blog. Ela sempre trata de algum tema polêmico em seus livros. Nesse foi relacionamento abusivo. Foi o primeiro que li sobre o assunto, e, como disse a Pam, do Garota It, todos no mundo deviam ler esse livro. Ele é tão realista, tão honesto! Não é algo fofo, do tipo ó, o amor vai te salvar, mas sim um tapa na cara de todo mundo que acha que entende o que é um relacionamento abusivo. Vou tentar controlar minhas emoções e fazer uma resenha organizadinha pra vocês entenderem.

Se você leu minha resenha de A Rainha Vermelha, deve saber que o meu maior problema com aquele livro foi a falta de emoção. Eu simplesmente não sentia o sentimento (?) dos personagens. Agora, esse livro não podia ter esse problema, senão ninguém conseguiria tirar nada dele. E, ainda bem, ele não teve.

De verdade, estou tendo muita dificuldade pra fazer essa resenha, pra explicar o quanto eu achei esse livro incrível.

Bom, quando pensamos em relacionamento abusivo, podemos pensar em várias coisas: abuso sexual, psicológico, físico e etc. E achamos que entendemos esses relacionamentos. Achamos que se fosse conosco, faríamos diferente. Nunca fui daquelas que dizia ah, mas ela⁄ele devia ter reagido ou ah, como ela⁄ele foi fraca⁄o, tadinha⁄o. Eu achava que entendia. Sempre pensei que não podia ser simples. Mas a verdade é que você não entende completamente a não ser que aconteça com você. Esse livro me fez entender melhor, mas também me fez entender que eu jamais vou entender completamente a não ser que seja a vítima.

Já que não consigo falar direito sobre esse livro, vamos falar dos personagens pra ver se melhora.

E é claro que preciso começar por Cole. Eu me apaixonei por Cole junto com Alex. Sinceramente, mesmo que você saiba o que vai acontecer mais tarde na história, é impossível não se apaixonar por ele, e por eles juntos. Eles se entendem. Cole é, realmente, o namorado perfeito. Aquele que te protege, que te entende, que te acompanha, que é seu melhor amigo... Até ficar irritado. Existem pessoas que descontam naqueles que amam quando estão estressados, aqueles que perdem a cabeça quando estão sentindo algo intenso. Mas Cole. Cole simplesmente não consegue se controlar. Acho que ele é, e digo isso literalmente, um psicopata ou no mínimo bipolar. Ele parece amar Alex genuinamente e parece se sentir realmente arrependido depois de a violentar. Mesmo assim, não consegue se impedir de fazer isso de novo. E o que achei mais impressionante nesse livro foi o fato de eu não odiá-lo. E isso provavelmente se deve ao fato de Alex não conseguir odiá-lo por completo.

Alex vive um conflito interno tão grande depois de sofrer abusos de Cole. Ela o divide em o Cole carinhoso, e o Cole que a assusta. Ela o ama. E por isso é tão difícil mudar o que está acontecendo. Acho que toda vítima de abuso acredita, como Alex, quando depois do primeiro abuso o agressor diz que isso não vai voltar a se repetir. Eu cheguei acreditar no Cole que deixava flores no seu carro, que a levava para a livraria para comprar livros, que fazia músicas com seus poemas, que a chamava de apelidos carinhosos. E então ele volta a agredí-la e você sente raiva. E mais tarde, de alguma maneira, ele te convence de que não vai acontecer mais e consegue te fazer acreditar que a culpa não é dele, mas de Alex. E Alex está convencida disso. Mas é claro que me bateu, eu fui tão idiota! Alex começa a moldar sua vida para agradar Cole. Deixa de encontrar os amigos. A cada movimento seu, tudo que ela consegue pensar é se aquilo vai agradar Cole.

E aí conhecemos os pais de Cole, e isso só torna as coisas piores. É óbvio que o pai de Cole abusa sua mãe e que é por isso que Cole é da maneira que é. E não digo isso como desculpa para ele (pelo menos não agora, mas quando conheci a situação pela primeira vez, como Alex, senti uma pena imensurável desse garoto que tinha mãe e pai, mas que na verdade não tinha), mas já dizia minha avó: para saber como um garoto vai te tratar, olhe como ele trata sua mãe. Cole vê sua mãe como uma figura fraca, idiota, medíocre e estúpida. Ele nem a chama de mãe. E é óbvio que isso é influência de seu pai.

Uma das partes mais interessantes do livro pra mim foi quando Alex encontrou Maria, tanto no cinema quanto no trabalho. E você percebe que Cole abusava de todas as suas namoradas anteriores, que recebeu processos e ordens de restrição por isso, e ainda assim ele continua abusando de Alex, e provavelmente vai abusar das namoradas seguintes. E é aí que você para e percebe que jamais vai entender alguém como ele. Psicopatia é um dos distúrbios que a medicida ainda sabe muito pouco sobre.

Uma das únicas coisas que me deixou frustrada no livro foi como Bethany e Zach reagiram quando descobriram que Alex estava sendo abusada. Mas minhas frustração, novamente, cai nas coisas que achamos que entendemos mas não entendemos. Tudo que eu conseguia pensar era em como eles não entendiam, em como, se fosse eu, tentaria ajudar minha amiga e não excluí-la. O que não entendemos é que não é fácil ajudar alguém que não quer ajuda. Não me entendam mal, gostei muito dos dois amigos. Achei Zach incrível toda vez que encontrava Cole, e Bethany era um doce, e amei o relacionamento dos três.

O que mais me encantou no livro foi realmente o aspecto psicológico e emocional de todos os personagens, e principalmente de Cole. Pelo amor de Deus, depois de ter espancado a garota na rua e sido preso por isso ele tem a coragem de ligar pra ela e pedir perdão. Nesse ponto, Alex e nós, como leitores, já entendemos que o Cole carinhoso existe, mas ele jamais vai ser o suficiente. Não quando o Cole assustador pode surgir a qualquer momento, independentemente o que Alex faça. E talvez essa percepção seja a mais importante do livro todo: Alex tentava fazer tudo certo para agradá-lo e não ser agredida, mas simplesmente não importa o que ela faça, ele vai descontar sua raiva nela. E depois pedir perdão. E então espancá-la de novo. E então escrever músicas para ela. E então enchê-la de socos. E então comprar livros de viagem. E então empurrá-la no chão. E então deixar flores no seu carro. E então chutá-la na barriga, nas costas, no rosto, na cabeça, enquanto ela se encolhe no chão.

Outro ponto interessante do livro é o paralelo entre Cole e a mãe de Alex, que também sofria de algum distúrbio mental e suas maneiras de lidar com as coisas e com as pessoas que amava. E isso leva a melhor qualidade do livro todo: não existem personagens vazios. Cada um deles tem uma personalidade marcante. São pessoas reais. Lidam com os problemas de maneiras reais. Georgia com sua filha, Bethany com sua obsessão pela viagem e por questões ambientais, Zach sendo um tarado e um amor ao mesmo tempo, a distância do pai de Alex... Alguns personagens, como Célia, Ms. Moody, Shannin e os pais de Cole fiquei querendo conhecer mais. Mas mesmo assim, entendo que o pouco contato com outras pessoas também é uma representação do relacionamento abusivo. E assim, maravilhosamento, tudo se encaixa.

E eu termino essa resenha amando mais esse livro do que quando o terminei, há algumas horas.

Espero que tenha conseguido passar o que senti para vocês, e recomendo muuuito esse livro, e também A Lista Negra. Jennifer Brown está entrando para a lista de autores favoritos com certeza.

Beijos,
Jú.


0 comentários:

Postar um comentário